Um clique acidental num anúncio de carro e a internet decidiu que eu ia comprar um. Agora meu feed está repleto de dashboards. Não exteriores. Não são especificações. Painéis de controle. E está funcionando. Eu abro quase todos.
As cabines modernas são extravagantes, com telas se multiplicando como coelhos, tablets invadindo o banco do passageiro e recursos empilhados uns sobre os outros. Estou obcecado(a).
A primeira vez que me impressionei com um painel de controle nem foi com uma tela. No caminho de volta de um jogo do ensino fundamental, num carro dirigido pelo pai de um amigo meu, a velocidade dele parecia flutuar no para-brisa como um holograma. Para mim, aos 11 anos, aquilo era pura ficção científica. Me lembrou muito Star Wars, mesmo sendo apenas uma leitura de velocidade.
À medida que os medidores substituíram os ponteiros por pixels, as telas sensíveis ao toque começaram a aparecer. Meu Prius usado era um dos primeiros modelos. Funcionou por pouco, mas mesmo assim adorei. Eu bati naquela tela que não respondia como se ela me devesse dinheiro, só para ver o sistema híbrido redistribuir a energia. Foi uma sensação incrivelmente legal.
Ao longo dos anos, telas como a do meu Prius passaram de novidade a padrão, controlando navegação, música, integração com o celular, climatização e câmeras de ré. Assim que isso se tornou normal, as montadoras iniciaram uma corrida armamentista para ver quanta parte da visão do motorista poderia ser transformada em tela.
Os veículos evoluíram muito desde o meu Taurus com leitor de CD (já mencionei que ele podia armazenar três, isso mesmo, três CDs?). Ainda me lembro do meu primeiro momento com a "entrada auxiliar": um amigo conectou seu Microsoft Zune, o som do Pearl Jam começou a tocar alto e, de repente, uma estrada rural em Illinois pareceu o futuro.
Em seguida, veio a era dos transmissores FM. Encontre uma estação sem sinal, ignore a estática e os vizinhos e desfrute de música com fidelidade de nível AM. Terrível. Ótimo também.
Nos anos conturbados do entretenimento automotivo, os fabricantes de acessórios automotivos investiram em vídeo. Entrei na caminhonete de um amigo. Ele me entregou um fichário de DVDs, apertou um botão e uma tela surgiu do console como um Transformer, com todo aquele zumbido e som característico dos servos. Vimos Shia LaBeouf fugir de outros veículos dentro de um carro. Muito metalinguístico. Com exceção da parede com tela integrada no painel do Cadillac Escalade 2025, a televisão dentro do carro nunca decolou de verdade... ainda?
Passamos das entradas auxiliares para o Bluetooth e depois para o CarPlay, que se conecta automaticamente quando entro no carro. Percebo como já me acostumei quando minha filha mais nova entra no carro, o celular dela conecta instantaneamente e o Spotify começa a tocar antes mesmo de eu conseguir dizer olá.
Sempre que isso acontece, sinto na obrigação de fazer um discurso do tipo "como era antigamente".