Quando Rosa começou a costurar bolsas e sacolas de tecido colorido em sua casa em Barranquilla, na Colômbia, ela trabalhava sozinha e contava com a ajuda da filha para divulgar suas criações no Instagram e no Facebook.
À medida que sua marca homônima ganhava popularidade, ela começou a procurar maneiras de contratar funcionários para ajudar a atender à demanda por sua marca e, eventualmente, abrir um espaço de varejo em sua cidade litorânea caribenha. Foi então que ela se deparou com um obstáculo: apesar do crescimento constante de seu negócio, ela teve dificuldades para obter o financiamento necessário.
Assim como muitos trabalhadores latino-americanos, Rosa faz parte do que é conhecido como economia informal. Embora representem um terço da economia da América Latina, a maioria opera sem contas bancárias, utilizando dinheiro em espécie ou carteiras digitais. Isso pode ser aceitável para transações cotidianas comuns, mas não quando se trata de solicitar um empréstimo bancário formal. Assim como nos EUA, os bancos latino-americanos exigem comprovação de um histórico financeiro e de crédito substancial. Sem essas informações, empreendedores como Galván não conseguem atingir seu potencial máximo — muito menos reduzir a significativa desigualdade de riqueza na América Latina.
“Quando você nasce pobre”, explica Mercedes Bidart, “é difícil construir um histórico de crédito”.
Como cofundador e CEO da plataforma de financiamento Quipu, Bidart quer mudar isso. Quipu recebeu esse nome em homenagem ao antigo sistema de nós que os Incas usavam para manter registros, mas seu grande diferencial é a inteligência artificial de ponta. A plataforma utiliza inteligência artificial para analisar dados não tradicionais, incluindo as redes sociais, o estoque e as transações financeiras em tempo real de uma empresa, a fim de determinar se negócios como o de Galván são dignos de crédito, colocando-os no caminho para a obtenção de financiamento.
A IA possui um imenso potencial para ampliar o impacto e expandir serviços essenciais. Por isso, o Mastercard Center for Inclusive Growth e a data.org lançaram o Desafio de Inteligência Artificial para Acelerar a Inclusão (AI2AI) no ano passado, para ajudar startups, empresas sociais e organizações sem fins lucrativos a desenvolver e ampliar soluções de IA que promovam a inclusão e o empoderamento econômico.
“A IA possui um potencial extraordinário, mas seu verdadeiro poder só será percebido quando todos puderem acessá-la e se beneficiar dela”, afirma Uyi Stewart, vice-presidente de Inovação Inclusiva e Análise de Dados do Centro. “Ao eliminar as divisões digitais e informacionais para comunidades carentes, abrimos caminho para um futuro onde a inovação é inclusiva, o crescimento econômico é ampliado e as oportunidades são compartilhadas por todos.”