25 de setembro de 2024
Durante cinco anos, a RISE — sigla para Reimagining Industry to Support Equality (Reimaginando a Indústria para Apoiar a Igualdade) — e o Mastercard Center for Inclusive Growth (Centro Mastercard para o Crescimento Inclusivo) têm trabalhado em parceria com o Centro de Serviços para o Desenvolvimento do Egito para digitalizar a folha de pagamento na indústria de vestuário, que emprega 2,5 milhões de pessoas no Egito, das quais cerca de 40% são mulheres. A iniciativa também visa desenvolver o conhecimento financeiro, permitindo que elas economizem mais e, para as trabalhadoras que muitas vezes têm pouco controle sobre seus salários, que se sintam mais empoderadas na hora de tomar decisões financeiras.
Basma, que trabalha em uma fábrica de jeans em Port Said, agora usa seu cartão de débito para pagar as compras do supermercado e o aplicativo do banco para consultar o saldo. Ela também aprendeu a criar um orçamento mensal e a administrar melhor suas despesas. “Não trabalho apenas para receber meu salário e sustentar meus filhos e sua educação”, diz ela. “Preciso trabalhar e economizar dinheiro para alcançar meus objetivos.”
De acordo com um novo relatório, trabalhadoras de fábricas de vestuário como Basma, acima, têm se beneficiado da transição para salários digitais, inclusive sentindo-se mais empoderadas para tomar decisões financeiras. (Foto cedida pela RISE)
Um novo relatório da RISE e do Centro mostra como essa combinação de acesso digital e educação financeira é promissora para a inclusão financeira e maior resiliência no Egito, onde apenas 26% dos adultos possuem conta bancária. Longe de os trabalhadores simplesmente sacarem seus salários, o relatório constatou um aumento de 19 pontos percentuais no uso de contas de dinheiro móvel por trabalhadores, tanto homens quanto mulheres, incluindo pagamentos de compras e contas, remessas e recarga de créditos em seus telefones. As mulheres que receberam treinamento com foco em questões de gênero de educadoras pares como parte da iniciativa apresentaram um aumento de 10 pontos percentuais na poupança, tanto para despesas previstas quanto para emergências.
“Ao fornecermos recursos digitais e treinamento para mulheres, aumentamos sua estabilidade financeira a longo prazo”, afirma Christine Svarer, diretora executiva da RISE. “Isso não só beneficia as comunidades onde vivem, como também fortalece as cadeias de abastecimento que nos sustentam a todos.”
O relatório também revelou uma mudança de atitudes em relação à tomada de decisões financeiras, com um aumento de 11 pontos percentuais no número de trabalhadores que tomam decisões de gastos com suas famílias e um aumento de 30 pontos percentuais no número de trabalhadores que discordam fortemente da ideia de que a maioria das decisões domésticas deve ser tomada pelos homens — na verdade, o aumento foi maior para os homens do que para as mulheres.
A digitalização dos salários também resultou em economias significativas na folha de pagamento e na produção para os fabricantes, incluindo uma redução de 53% no custo administrativo de transporte, contagem e distribuição da folha de pagamento, e uma economia de 15 minutos no tempo de produção, já que os trabalhadores antes precisavam ficar na fila para receber o pagamento em dinheiro.
O relatório apresenta cinco ideias para ampliar essas iniciativas e promover a inclusão financeira:
Poupar e fazer um orçamento é mais importante do que nunca. A crise do custo de vida no Egito e a incerteza em relação aos preços dos alimentos fazem com que o controle de gastos e poupança seja vital para que os salários durem mais. É importante que as iniciativas apoiem os trabalhadores na gestão das despesas e na prevenção do endividamento.
Uma experiência positiva do cliente gera confiança. A confiança dos trabalhadores em produtos e serviços financeiros é abalada se as taxas não forem explicadas claramente, e as fábricas trocarão de fornecedores de folha de pagamento se receberem muitas reclamações dos trabalhadores. Por exemplo, nem todos os funcionários têm endereço de e-mail, então podem ser cobrados por extratos impressos que não solicitaram.
A digitalização dos salários não resolve (imediatamente) a necessidade de dinheiro em espécie. É importante que os trabalhadores ganhem confiança, sabendo que podem acessar seu dinheiro quando precisarem. Com o apoio adequado, os trabalhadores começarão a usar mais pagamentos digitais com o tempo.
Se a tecnologia for adequada, os trabalhadores a utilizarão. A adesão ao InstaPay por trabalhadores de ambos os sexos demonstra que, com o conhecimento e as habilidades certas, os trabalhadores começarão a usar serviços financeiros digitais que sejam fáceis de usar e relevantes para eles.
É fundamental levar em consideração as necessidades das mulheres. As normas de gênero fazem com que as mulheres tenham menos probabilidade de ter experiência com serviços financeiros ou tecnologia digital e precisarão de mais apoio para desenvolver a confiança necessária para usá-los. Também é importante levar em consideração as fases da vida das mulheres. Se as necessidades e os obstáculos financeiros enfrentados pelas mulheres não forem considerados, as disparidades de gênero na inclusão financeira podem aumentar.
“Os rendimentos digitais estão capacitando os trabalhadores, principalmente as mulheres, a poupar, a criar estratégias e a construir um futuro financeiro mais sólido”, afirma Payal Dayal, vice-presidente executiva de programas globais do Center for Inclusive Growth. “Os benefícios da folha de pagamento digital em todo o ecossistema são enormes, e por meio de parcerias inovadoras como esta, a oportunidade de ampliar esse impacto também aumenta.”