As aquisições feitas pela Mastercard permitem a oferta customizada de vários tipos de solução ao mercado. “Buscamos as melhores em diferentes segmentos. Empresas que desenvolvem sistemas de segurança, gestão de risco, Inteligência Artificial, análise de dados”, afirma Bassols.
Em 2017, a Mastercard comprou a NuData Security, empresa que fornece ferramentas contra fraudes online e em dispositivos móveis usando indicadores biométricos comportamentais. Um dos produtos é o Nudetect, que identifica os usuários com base em suas diferentes interações online, em apps e no celular. O sistema detecta, avalia e consegue dizer se aquele usuário é mesmo quem afirma ser, com base até em como ele segura o celular ou digita, criando padrões. (leia mais sobre a NuData aqui)
Outra empresa adquirida pela Mastercard foi a americana Brighterion, que utiliza Inteligência Artificial e machine learning para prevenção de fraudes, análise de negócios e predição de comportamento a partir de qualquer fonte de dados.
“Com Inteligência Artificial, é possível identificar mudanças no comportamento do consumidor em cada momento da sua vida. Isso auxilia a oferta de produtos e serviços cada vez mais customizados e assertivos”, afirma Estanis.
A startup RiskRecon também entrou para o portfólio da Mastercard, com sua solução de pontuação de risco de fraude, assim como a Ethoca, uma plataforma de colaboração entre comerciantes e emissores que ajuda a detectar fraudes digitais rapidamente e melhora a experiência de compra.
Com as aquisições, a Mastercard abriu novas frentes de atuação em clientes com os quais já faz negócios, como os bancos e toda a cadeia de pagamentos, e também a possibilidade de entrar em outros segmentos. Já foram mapeadas três áreas que podem se beneficiar das soluções: seguros, saúde e educação. “Essas áreas estão passando por verdadeiras transformações digitais e podemos ajudar nesse caminho”, diz Bassols.
DE EMPRESA PARA EMPRESA
O mundo B2B ganhou relevância com a nova estratégia da Mastercard. O movimento financeiro entre empresas gira US$ 250 trilhões no mundo por ano. “O cartão tem uma parcela muito pequena do volume dessas transações, dominado hoje por meios como TED, boletos e outras formas de pagamento. É insignificante. Podemos avançar muito mais com as tecnologias que temos disponíveis hoje”, afirma Estanis.
A cadeia do B2B envolve transações financeiras entre empresas, fornecedores e consumidores. Além de soluções para fazer a gestão financeira desse vaivém de pagamentos, a Mastercard pode oferecer inovações, como wallets e sistemas de segurança, além de informação para a tomada de decisão, como dados em tempo real sobre participação de mercado, ou análises para entender se o momento é bom para expandir e abrir novas lojas, para ficar em alguns exemplos.
PESSOAS NO CENTRO DE TUDO
As pessoas estão no centro do negócio da Mastercard, e garantir a forma de pagamento que elas precisam em cada momento da jornada de compra é um mantra na empresa. Veja o caso dos pagamentos por aproximação. Essa modalidade já vinha crescendo nos últimos anos, mas ficou ainda mais relevante com a pandemia da Covid-19.
Pesquisa da Mastercard mostrou que 62% dos brasileiros que têm conta em banco optaram pelo pagamento por aproximação durante a pandemia. Desses, 14% adquiriram o novo hábito por conta da quarentena, e 75% dizem que pretendem continuar usando essa forma de pagamento. No mesmo período, 72% dos brasileiros realizaram transferências e 68% pagaram contas usando aplicativos do sistema financeiro.
“Depois da pandemia, esses hábitos não devem mudar”, diz Bassols. “Com tecnologia e inteligência de dados, a tendência é que o pagamento eletrônico se torne cada vez mais fácil e praticamente invisível, porque o consumidor e seus hábitos já serão conhecidos pelos sistemas. Ele vai poder pagar com uma variedade de recursos, conforme sua preferência e necessidade. E isso só será possível porque teremos a tecnologia e a confiança do cliente”, afirma o presidente da Mastercard Brasil.