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ARTIGO

Open banking na América Latina

Lições do México, Brasil, Colômbia, Chile, Argentina e Peru sobre open banking e pagamentos em tempo real.

Publicado em: 13 de maio de 2024 | Atualizado em: 17 de julho de 2024

a definir

Tópicos

Consultoria em engajamento e fidelização de clientes

Setor

Instituições financeiras

Andrés Aguirre

Serviços de consultoria ao cliente
MasterCard

Luís Filipe Ponce

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MasterCard

Sofia Ruiz de Teresa

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MasterCard

Introdução

Seis países. Seis progressões do open banking ou, de forma mais ampla, do open finance. Um número que tende a aumentar à medida que outros países seguirem o exemplo.

As instituições financeiras, independentemente de operarem em um único país ou em vários, agora enfrentam a tarefa de compreender uma região inteira.

Que oportunidades inexploradas podem existir em um país com base em sua evolução em outro? Que abordagens podem e que não podem ser replicadas em diferentes países?

O Brasil possui uma regulamentação abrangente. O foco inicial da Colômbia está nos serviços de iniciação de pagamentos (PIS), enquanto a lei fintech do México abrange apenas os serviços de informação de contas (AIS), mesmo com o banco central explorando os PIS. O Chile também adota uma lei de fintech, mas inclui especificamente o PIS (Public Information System). Argentina e Peru insinuam regulamentação em suas abordagens para pagamentos em tempo real.

O objetivo comum de estimular a concorrência e a inovação é herdado dos fundamentos regulatórios do open banking na Europa. Eles acrescentam, então, mais um objetivo: inclusão financeira. A urgência varia entre os seis.

Segundo análises da Mastercard Market Trends, utilizando dados da RBR Data Services e do Banco Mundial (doravante MMT), a percentagem de pessoas bancarizadas no México, de 45%, contrasta com os 89% no Chile; a percentagem de pessoas sem acesso a serviços bancários é maior em ambos os países. Essas considerações ressaltam a ênfase dada em diversos países aos pagamentos digitais de baixo valor para reduzir a dependência do dinheiro em espécie.

A participação bancária do México, de 45%, em uma ponta, contrasta com a participação do Chile, de 89%, na outra.

Menos dinheiro em espécie significa maior inclusão financeira. Os pagamentos digitais associados criam oportunidades para avaliação de crédito alternativa e maior inclusão financeira. Entretanto, os sistemas de pagamento em tempo real, que prosperam com o open banking e ao mesmo tempo ajudam o open banking a prosperar, estão se tornando uma expectativa para os pagamentos digitais.

As diferentes vertentes do open banking na América Latina justificam uma análise em duas vertentes para cada país:

  1. Regulamentação e infraestrutura: uma análise dos bastidores das estruturas de cima para baixo e das capacidades tecnológicas.
  2. Contexto e oportunidades de mercado: uma análise dos hábitos de consumo e do papel das instituições financeiras.

Um mapeamento rudimentar dos seis países em um "ciclo de hype", um mapa usado pela consultoria americana Gartner para mostrar a maturidade e a adoção de tendências emergentes como o open banking, produz o seguinte resultado:

Ciclo de hype do Open Banking

a definir

A posição de liderança do Brasil na “rota do esclarecimento” é significativa por dois motivos. Em primeiro lugar, é o único país que demonstra de forma concreta a influência do sistema bancário aberto na região. Em segundo lugar, sua conquista ofusca o status do México como pioneiro e altera a ordem cronológica utilizada abaixo, que se baseia em quando cada país entrou no ciclo.

Explore mais

Open banking no México

Parte 1: Regulamentação e infraestrutura

De certa forma, o México é pioneiro.

Em 2018, o México foi um dos primeiros países do mundo a introduzir regulamentação para o sistema bancário aberto, sem mencionar seu foco mais amplo em finanças abertas. Foi no mesmo ano em que a Diretiva de Serviços de Pagamento revisada da UE (PSD2) entrou em vigor e promoveu interfaces de programação de aplicativos (APIs) seguras em detrimento da extração de dados da web para o compartilhamento de dados.

Em 2019, a Cobro Digital (CoDi) trouxe transações de varejo de baixo valor para a infraestrutura de pagamento em tempo real do Sistema de Pagos Electrónicos Instantáneos (SPEI) do México. O lançamento do sistema de pagamentos Pix, comparável ao brasileiro, ainda estava a um ano de distância.

Toda a abordagem do México também foi inovadora.

Em primeiro lugar, enquadra a sua regulamentação de finanças abertas numa “Lei Fintech”. A inclusão inédita de empresas fintech como provedoras, e não apenas receptoras, em um fluxo bidirecional de dados, condiz com o status do país, ao lado do Brasil, como um dos dois polos fintech da América Latina. E a opção, mesmo que não seja implementada, de cobrar taxas não proibitivas pelo acesso aos dados reconhece a crescente paridade entre as empresas tradicionais e as startups de fintech.

Em segundo lugar, a lei coloca a inclusão financeira em pé de igualdade com a promoção da concorrência na sua lista de objetivos. Em comparação, a Autoridade de Conduta Financeira do Reino Unido considera a inclusão financeira como um dos "novos desenvolvimentos " do open banking, algo que não foi levado em conta inicialmente.

No entanto, o caminho de um pioneiro costuma ser o mais desafiador.

A falta de padronização completa de APIs no México não é incomum em todo o mundo, assim como a inclusão, em sua lei fintech, de serviços de informação de contas (AIS) sem serviços de iniciação de pagamentos (PIS). Mas ambos representam desafios.

Embora um agregador de dados possa ajudar mesmo ao conectar APIs padronizadas, ele se torna essencial quando se vai além de conexões privadas individuais. A presença de múltiplos agregadores privados operando com base em diferentes padrões significa que o sistema bancário aberto no México carece de facilidade e coesão, recorrendo frequentemente à extração de dados da web (web scraping). E, apesar de suas pretensões de finanças abertas, também carece de escopo, pois ainda não existe regulamentação do PIS para acompanhar o primeiro conjunto de disposições secundárias para o AIS a partir de 2020, apesar do interesse do banco central no PIS.

Por enquanto, a SPEI no México não pode se beneficiar do open banking como a Pix pode no Brasil. A situação em si não explica a fraca adesão ao CoDi até o momento, mas não é um bom presságio. De acordo com dados do banco central, apenas 1,6 milhão de contas em uma população de quase 128 milhões fizeram pelo menos um pagamento com o CoDi nos quatro anos desde o seu lançamento em outubro de 2019.

Por enquanto, a SPEI no México não pode se beneficiar do open banking como a Pix pode no Brasil.

O lançamento do Dinero Móvil (DiMo) em setembro de 2023 visa impulsionar a adesão, vinculando números de telefone a contas, nos moldes do Pix. O impacto ainda está por ser visto — em particular, se terá alguma influência nas alternativas privadas de "circuito fechado" ao CoDi, criadas por empresas fintech não diretamente ligadas à SPEI.

Parte 2: Contexto e oportunidades de mercado

Por um lado, as instituições financeiras no México estão, por enquanto, um tanto limitadas em três áreas: padronização limitada de APIs, ausência de regulamentação de PIS e baixa adesão a pagamentos de varejo de baixo valor em tempo real.

Além disso, apenas 45% da população adulta do México possui uma conta financeira — a porcentagem mais baixa em comparação com a média de 70% em seis países, de acordo com a MMT. Uma interpretação mais liberal, que inclui contas de dinheiro móvel pré-financiadas com instituições de moeda eletrônica, ainda eleva a participação para apenas 49%, de acordo com o banco de dados global de inclusão financeira do Banco Mundial (Findex). E a penetração de telefones celulares, de 80%, é a mais baixa entre os seis países, contra uma média de 89%, segundo o Findex.

O México contava com 773 empresas de tecnologia financeira (fintech) no final de 2023, o segundo maior número da região, atrás apenas do Brasil.

Por outro lado, o México abriga a segunda maior economia e população da América Latina, depois do Brasil. Segundo a empresa de capital de risco Finnovista, o país contava com 773 empresas de tecnologia financeira (fintechs) no final de 2023, o segundo maior número da região, atrás apenas do Brasil. Os agregadores de APIs privadas contornam a falta de padronização, uma estrutura PIS é inevitável e os pagamentos em tempo real já estão disponíveis.

Muitas instituições financeiras já atuam como ou trabalham com provedores de serviços de informação de contas (AISPs) em áreas como gestão financeira e empréstimos. Clientes com ampla presença em bancos são pontos de partida óbvios, mas a avaliação de crédito alternativa com informações de contas de dinheiro móvel pode ampliar o alcance a clientes sem conta bancária ou com acesso limitado a serviços bancários. A abertura remota de contas e o cadastro de clientes com e-KYC (conheça seu cliente) também podem alcançar grupos até então difíceis de atingir.

As plataformas de avaliação de crédito podem até fornecer pontuações a instituições financeiras afiliadas, para que estas possam competir pelos consumidores, que assim podem evitar os "prêmios de pobreza" associados às opções limitadas de empréstimo. E a ausência de um sistema de informação de pagamento (PIS, na sigla em inglês) por enquanto não restringe os serviços de pagamento, que podem incluir o "compre agora, pague depois" (BNPL, na sigla em inglês) para contas de dinheiro móvel com limites de crédito vinculados ao uso responsável.

O México está, por enquanto, preso no "vale da desilusão" em relação ao sistema bancário aberto, mas inevitavelmente sairá dele. As oportunidades para as instituições financeiras podem não ser tão diversas e abundantes quanto no Brasil atualmente, mas também ainda não foram exploradas pelos concorrentes.

Open banking no Brasil

Parte 1: Regulamentação e infraestrutura

Se o México é o pioneiro, o Brasil é a referência.

Pouco mais de dois anos depois do México, em 2018, o Brasil publicou sua regulamentação sobre open banking em 2020. Existem semelhanças: as startups de fintech e os bancos tradicionais estão em pé de igualdade, e o escopo inclui dados financeiros abertos. No entanto, a abordagem do Brasil tem uma nuance diferente.

Em vez de incorporar o open banking em uma lei fintech que previa uma regulamentação específica mais aprofundada, o Brasil optou por uma abordagem específica e abrangente desde o início. A Fase 1 do regulamento entrou em vigor no início de 2021, seguida por uma Fase 2 focada em Sistemas de Informação Aeronáutica (SIA) e uma Fase 3 focada em Sistemas de Informação de Passageiros (SIP). Enquanto o México estagna, o Brasil entra em sua quarta fase de "finanças abertas", que vai além do setor bancário, abrangendo seguros e investimentos abertos.

Em junho de 2023, o Brasil registrou 4,8 bilhões de chamadas de API bem-sucedidas, mais que quadruplicando o número do Reino Unido, que foi de 1,1 bilhão.

Em 1º de fevereiro de 2023, exatamente dois anos após o lançamento da fase 1, o Banco Central do Brasil comemorou a marca de 15 milhões de usuários, segundo o próprio Banco Central. Em junho de 2023, o Brasil registrou 4,8 bilhões de chamadas de API bem-sucedidas, mais que quadruplicando o número do Reino Unido, que foi de 1,1 bilhão, segundo uma análise da Mastercard baseada em dados do Banco Central do Brasil e da UK Open Banking Limited. É verdade que a população do Brasil é mais de três vezes maior, mas o Brasil também levou três anos a menos que o Reino Unido para alcançar esse feito.

O sistema de open banking no Brasil agora também está sincronizado com o sistema de pagamentos de varejo em tempo real Pix. O Pix foi lançado em novembro de 2020 e alcançou 140 milhões de usuários em dois anos. Em outubro de 2023, o uso atingiu 156 milhões de pessoas, ou mais de 70% da população.

Parte 2: Contexto e oportunidades de mercado

Uma abordagem abrangente de open banking, sincronizada com um sistema popular de pagamentos em tempo real, torna o Brasil um mercado privilegiado para a inovação.

De acordo com a MMT, a participação das transferências por crédito no total de transações sem dinheiro em espécie no Brasil é de 42% . Essa porcentagem é a segunda mais alta, comparada à média de 37% de seis países, que já é distorcida para cima pelo domínio absoluto do Peru, com 81%, em condições de mercado diferentes.

O Brasil também consolidou sua supremacia no cenário fintech, após anos disputando com o México o posto de polo fintech da América Latina: o Brasil contava com 771 empresas fintech em 2021, em comparação com as 512 do México, segundo a Finnovista. O México atingiu um número comparável de 773 até o final de 2023.

Contudo, diferentemente do que acontece no México, a vantagem de ser pioneiro está cada vez menos disponível à medida que o Brasil avança na "roda do esclarecimento". Sistemas alternativos de avaliação de crédito, integração instantânea e em grande parte automatizada, e gestão financeira pessoal (GFP) com visões consolidadas de contas de outros fornecedores são cada vez mais comuns.

O setor já evoluiu para serviços adicionais, como a venda cruzada de serviços com base na necessidade financeira ou ferramentas de gestão financeira pessoal (PFM) que alertam os clientes quando qualquer conta, incluindo contas de outros provedores, corre o risco de ficar negativa. Ao incluir o PIS (Personal Investment Service), os provedores podem oferecer investimentos automatizados, como o uso de pagamentos recorrentes variáveis com contas de aplicação automática no Reino Unido.

Existe uma oportunidade emergente onde Pix e PIS se unem na interface de finanças integradas do open banking e do Banking as a Service (BaaS). A natureza centralizada do Pix significa que um consumidor pode efetuar um pagamento sem sair do site do varejista.

Open banking na Colômbia

Parte 1: Regulamentação e infraestrutura

Em maio de 2023, as entidades do setor fintech dos países da Aliança do Pacífico — FinTech México, Colombia Fintech, FinTech Perú e FinteChile — reuniram-se para discutir padrões de finanças abertas.

O decreto colombiano de finanças abertas de 2022 tem como foco o PIS (Plano de Investimento Público). A lei mexicana de fintech de 2018 tem como foco os Sistemas de Informação Contábil (SIC).

A colaboração é oportuna. Uma abordagem comum contrasta com uma relação quase inversa entre as abordagens da Colômbia e do México: o decreto colombiano de finanças abertas de 2022 concentra-se no PIS (Plano de Investimento Público); a lei mexicana de fintech de 2018 concentra-se no AIS (Sistema de Informação Contábil).

O plano da Colômbia de introduzir o AIS em 2025 como a fase 3 de sua abordagem de quatro fases, seguida pela portabilidade financeira na fase 4 em 2026 para facilitar a transferência de todas as informações do cliente associadas a produtos financeiros, trará alinhamento em uma única direção, mantendo o PIS como um diferencial na Colômbia por enquanto. Entretanto, a conclusão bem-sucedida da Fase 1 "geral" pela Colômbia, em fevereiro de 2024, mantém o país no caminho certo para o lançamento de padrões específicos do PIS até dezembro de 2024, como Fase 2. Mas, para isso, a Colômbia também precisa de especificidade em outra área: pagamentos em tempo real.

A Colômbia oferece atualmente três esquemas que apoiam pagamentos conta a conta de baixo valor: Botón PSE (Pagos Seguros en Línea), Transfiya e Redeban Entre-Cuentas. Diferentemente do CoDi/DiMo do México e do Pix do Brasil, todos eles são administrados por entidades privadas, e não pelo banco central. A ACH Colômbia, uma câmara de compensação automatizada pertencente a um consórcio de bancos, opera as duas primeiras; a Redeban, uma provedora de serviços de pagamento, opera a terceira.

O Botón PSE é o mais antigo e consolidado dos três: é aceito por mais de 23.000 varejistas e mais de 30 instituições financeiras; metade dos colombianos, segundo uma pesquisa recente da Mastercard Account-based Payments Advisory (APA), afirma utilizá-lo. No entanto, só é "em tempo real" da perspectiva do usuário, uma vez que os bancos participantes liquidam os fundos posteriormente através da rede ACH. Compete com outras carteiras digitais de bancos individuais ou instituições de moeda eletrônica que, ao contrário do Botón PSE, tendem a suportar códigos QR.

Transfiya e Redeban Entre-Cuentas são redes em tempo real. A Transfiya começou em 2019 com transferências ponto a ponto (P2P), mas agora está explorando a modalidade ponto a comerciante (P2M), seguindo os passos de sua concorrente na Bolsa de Valores de Punjab (PSE). Desde o final de 2022, a Redeban Entre-Cuentas concentra-se na interoperabilidade de códigos QR entre os provedores de carteiras digitais da Colômbia e, em seguida, processa as transações em sua infraestrutura em tempo real.

Em outubro de 2023, o banco central interveio com uma regulamentação para resolver a confusão, estipulando a interoperabilidade de todos os sistemas de pagamento em tempo real de baixo valor. O objetivo é um Sistema de Pagamentos Imediatos (SPI) — sigla em comum com o Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI) do Brasil, conhecido pelos usuários como Pix — com um diretório centralizado e liquidação centralizada. O sucesso da SPI dependerá da compatibilidade entre Transfiya e Redeban Entre-Cuentas, além de uma popularidade icônica que se iguale à do Botón PSE.

Parte 2: Contexto e oportunidades de mercado

Os saques em dinheiro representam 61% do volume bruto em dólares (VBD) de pagamentos com cartão na Colômbia, contra 46% no México e 24% no Brasil. Entre os seis países, apenas o Peru apresenta um índice mais alto, de 66%. Enquanto isso, a Colômbia registra 32 pagamentos com cartão por ano por adulto, o que a coloca na posição mais baixa entre os seis países, com menos da metade dos 65 do México e muito abaixo dos 238 do Brasil, líder do ranking, segundo a MMT.

A Colômbia, com 62% de penetração de cartões sem contato, supera o Brasil, com 35%, e o México, com 22%.

Mas dentro desse domínio do dinheiro em espécie existem algumas anomalias. Os níveis de bancarização na Colômbia, de 65%, são superiores aos do México, de 45%, embora ainda inferiores aos do Brasil, de 85%, e a penetração de cartões sem contato, de 62%, supera a do Brasil, de 35%, e a do México, de 22%.

Os níveis de atividade bancária são impulsionados pelo sistema de correspondentes bancários, no qual varejistas locais atuam como agentes bancários, prestando serviços financeiros em nome dos bancos, em um modelo que pode ser considerado um precursor do Banking as a Service (BaaS). O uso de cartões de débito sem contato no sistema de transporte público de Bogotá provavelmente explica a alta penetração dessa tecnologia, apesar do uso relativamente limitado de cartões em geral.

O resultado é uma população bem servida por contas bancárias e disposta a deixar de usar dinheiro em espécie, se for conveniente. O cenário está se desenrolando em um país prestes a se beneficiar de ampla regulamentação e infraestrutura de apoio.

Os agregadores de API privados resolvem, por enquanto, a falta de padrões de API e oferecem suporte a funcionalidades essenciais de sistemas de informação contábil (AIS), como gestão financeira pessoal (PFM) e sistemas alternativos de avaliação de crédito. Entretanto, a iniciativa colombiana em prol do PIS significa que as instituições financeiras já estão iniciando pagamentos em nome dos consumidores.

À medida que a Colômbia atinge o "pico das expectativas infladas" no ciclo de euforia, as instituições financeiras têm a oportunidade de manter a subsequente queda o mais suave possível.

Open banking no Chile

Parte 1: Regulamentação e infraestrutura

O ponto de comparação natural para a "Lei Fintech" do Chile de 2023, cuja regulamentação complementar é esperada para meados de 2024, é a lei fintech do México, de quase cinco anos antes, em 2018. 

O México possui a infraestrutura, mas ainda não habilitou o PIS. O Chile não restringe o PIS, mas suas Transferências Eletrônicas de Fundos não suportam pagamentos de varejo de baixo valor.

No entanto, ao contrário do “artículo 76” único da lei do México, a lei do Chile dedica um “título” inteiro com vários artigos ao seu Sistema de Finanzas Abiertas (SFA) para financiamento aberto. Regulamentações específicas baseadas em APIs, vinculadas a padrões para AISPs e PISPs, são esperadas no final de 2024. Por enquanto, as instituições financeiras autorregulam a extração de dados da web ao realizar operações de open banking.

Os pagamentos em tempo real introduzem outra diferença. O México possui a infraestrutura, mas ainda não habilitou o PIS; o Chile não restringe o PIS, mas suas Transferências Eletrônicas de Fundos (TEF) de 2008 não suportam pagamentos de varejo de baixo valor.

O Chile está agora explorando a oportunidade de sincronizar pagamentos de baixo valor em tempo real com o sistema bancário aberto desde o início. Nesse sentido, sua situação é mais comparável à da Colômbia, que se encontra em uma posição semelhante no ciclo de hype, do que à do México.

Parte 2: Contexto e oportunidades de mercado

A ausência de algo comparável ao Botón PSE da Colômbia no Chile faz sentido em uma economia onde o dinheiro em espécie não predomina. 

Com 23%, o Chile apresenta a menor participação de saques em dinheiro como percentual do volume bruto de transações com cartão de pagamento entre os seis países analisados, de acordo com a MMT. Essa porcentagem é muito menor que a da Colômbia, que é de 61%, e fica até abaixo do Brasil, com 24%. Ao contrário do Brasil, o Chile não conseguiu atrair muitos de seus antigos usuários de dinheiro em espécie com uma solução de pagamento em tempo real como o Pix.

O Chile apresenta um índice de bancarização de 89% , o mais alto do país, comparado a uma média de 70% em seis países. Além disso, o número de pagamentos com cartão por adulto por ano é de 235, contra uma média de 117 nos mesmos seis países, ficando próximo ao Brasil, com 238, segundo a MMT. Com 89%, o Chile também apresenta a maior penetração de smartphones, contra uma média de 75% em seis países.

De acordo com a Finnovista, o Chile, que abriga 300 empresas de tecnologia financeira, também não fica atrás nesse setor. Ainda assim, seu total permanece menos da metade do total dos líderes Brasil e México, e fica atrás da Colômbia e da Argentina, com 369 e 343,respectivamente.

Os altos níveis de bancarização no Chile fazem com que a inclusão financeira seja menos prioritária e podem conferir aos serviços de open banking uma inclinação um tanto europeia.

A existência de padrões de API pendentes não impede que as instituições financeiras operem como AISPs e PISPs. No entanto, os altos níveis de bancarização fazem com que a inclusão financeira seja menos prioritária e podem conferir aos serviços de open banking uma certa inclinação europeia, como os serviços de agregação de contas baseados em AIS oferecidos pela maioria dos principais bancos chilenos. Conectar a agregação de faturas aos pagamentos de contas é um próximo passo natural, já oferecido por alguns provedores de serviços de internet (PISPs).

Talvez menos esperado no mercado chileno, altamente bancarizado e com grande presença de cartões, seja a demanda por pagamentos entre contas em lojas físicas. Embora ainda não existam planos para uma infraestrutura dedicada e independente de pagamentos em tempo real de baixo valor, o banco central está apoiando o desenvolvimento decâmaras de compensação de baixo valor para pagamentos de varejo.

Uma explicação surge da comparação com um país como o Reino Unido, onde a inclusão financeira é vista como um dos "novos desenvolvimentos" do open banking, e não como um objetivo original. Segundo relatórios da MMT sobre países, a participação de 23% dos saques em dinheiro em relação ao volume bruto de transações com cartão no Chile se compara a 9% no Reino Unido. E o fato de sua população, com 89% de usuários de serviços bancários, se compara ao acesso quase universal aos serviços bancários no Reino Unido.

Ainda mais reveladores são os níveis relativos de posse de cartões entre pessoas com 15 anos ou mais: 24% de crédito e 79% de débito no Chile, contra 62% e 95% no Reino Unido, de acordo com o Findex. Os níveis mais baixos no Chile em comparação com o Reino Unido também se correlacionam com níveis mais altos de uso de telefones celulares para pagamentos. No Chile, 41% dos consumidores realizaram pagamentos digitais em lojas físicas utilizando um celular em 2021; no Reino Unido, esse percentual foi de 26%. Da mesma forma, 45% das pessoas no Chile efetuaram o pagamento de contas de serviços públicos usando um telefone celular, contra 14% no Reino Unido, de acordo com a Findex.

À medida que as instituições financeiras chilenas monitoram as abordagens europeias para aumentar a inclusão financeira, farão bem em manter essas abordagens alinhadas com as práticas latino-americanas mais próximas de casa.

Open banking na Argentina

Parte 1: Regulamentação e infraestrutura

A Argentina e o Chile compartilham uma das maiores fronteiras internacionais do mundo. Suas abordagens em relação ao open banking e aos pagamentos em tempo real são, por enquanto, perpendiculares. Enquanto o Chile lançou uma regulamentação de open banking com foco em pagamentos em tempo real, a Argentina, também com foco em pagamentos em tempo real, está antecipando a implementação do open banking.

O sistema Transferencias 3.0 do banco central entrou em operação completa em 2021 para fornecer códigos QR interoperáveis para pagamentos em tempo real entre contas. Para melhor apoiar os mecanismos de financiamento de carteiras digitais, o banco central também está substituindo seus débitos em tempo real "débito inmediato" (DEBIN) por"transferências inmediatas 'pull'" (TIP) para dar aos consumidores mais controle.

O Chile publicou uma regulamentação de open banking com foco em pagamentos em tempo real, enquanto a Argentina, também com foco em pagamentos em tempo real, está antecipando a implementação do open banking.

No entanto, a falta de uma identidade visual centralizada, como os logotipos da Pix, no Brasil, ou da DiMo, no México, levou um consórcio de quase 40 instituições financeiras a sustentar a Transferencias 3.0 por meio de uma autoproclamada “carteira de bancos” conhecida como MODO.

A relação entre a MODO e a maior carteira digital da Argentina, uma extensão da maior plataforma de comércio eletrônico do país, continua a se desenvolver. O banco central está promovendo uma reaproximação por meio de um comunicado de maio de 2022 que estipula que todos os provedores de carteiras digitais devem permitir que os consumidores vinculem qualquer conta bancária, mesmo que não seja uma oferecida pelo próprio provedor da carteira.

O comunicado do banco central trata da vinculação de contas, e não do compartilhamento seguro de dados de contas, portanto não se trata de open banking propriamente dito. Mas sua abordagem aberta está em sintonia com o espírito do open banking e existe como um "gatilho de inovação" no ciclo de hype, sendo um provável prenúncio de regulamentação.

Parte 2: Contexto e oportunidades de mercado

Os códigos QR interoperáveis devem ser atraentes na Argentina, onde o uso de smartphones é de 81% e o uso de telefones celulares é quase onipresente, atingindo 92%, de acordo com a MMT. Dos seis países, apenas o Chile supera essas porcentagens, com 89% e 96%.

A Transferencias 3.0 ajudou a que os pagamentos por dispositivos móveis atingissem 198,8 milhões em abril de 2023, de acordo com o banco central. Ainda assim, as 198,8 milhões de transações representam menos de dois terços das 308,7 milhões de transações realizadas exclusivamente com cartões de débito e crédito naquele mesmo mês. O número também parece incluir, de forma um tanto enganosa, pagamentos feitos com cartões armazenados em carteiras digitais em dispositivos móveis.

Assim, apesar do crescimento contínuo nos pagamentos de conta para conta, a participação das transferências a crédito na Argentina, de 19% das transações sem dinheiro em espécie, é a mais baixa entre os seis países, contra uma média de 37%, segundo a MMT. Dessa perspectiva, as abordagens perpendiculares da Argentina e do Chile ocorrem em contextos semelhantes: níveis bancários relativamente altos e uso limitado de transferências de crédito. A diferença reside na dependência da Argentina em relação ao dinheiro em espécie e em um foco inicial na iniciação de pagamentos, mais semelhante ao que ocorre na Colômbia.

O principal provedor de carteira digital da Argentina não consegue oferecer em seu país de origem toda a conveniência que oferece no Brasil como PISP (Prestador de Serviços de Informática).

Uma particularidade atual da Argentina é como a volatilidade do mercado faz com que a gestão financeira pessoal (PFM) e a iniciação de pagamentos em tempo real se tornem ferramentas valiosas para indivíduos e empresas que desejam evitar serem surpreendidos pelas flutuações cambiais. O desejo é palpável: a familiaridade dos argentinos com as criptomoedas, um setor pouco conhecido pela sua estabilidade, é a mais alta entre os seis países: 28% dos argentinos afirmaram tê-las usado, contra 16% a 18% nos outros cinco países, de acordo com um estudo da Mastercard realizado no início de 2022.

Por ora, é irônico que o principal provedor de carteira digital do país, usado por 88% dos argentinos que responderam a uma pesquisa recente da APA, não possa oferecer em casa toda a conveniência que oferece no exterior, no Brasil, como um PISP (provedor de serviços de pagamento eletrônico). Na ausência de uma regulamentação formal do open banking, tanto a extração de dados da web ao estilo chileno quanto a agregação de APIs ao estilo colombiano são práticas comuns.

Open banking no Peru

Parte 1: Regulamentação e infraestrutura

A lei chilena sobre fintechs deixa o Peru como o único país da Aliança do Pacífico sem regulamentação de open banking ou open finance. Um projeto de lei de março de 2022 declara as finanças abertas como um “interesse nacional”, mas nenhuma regulamentação foi ainda apresentada.

Atualmente, o foco do Peru em pagamentos em tempo real significa que sua abordagem tem, de certa forma, mais em comum com a Argentina do que com qualquer um de seus parceiros da Aliança do Pacífico.

Assim como o comunicado da Argentina de 2022, a circular do Peru de 2022 pode ser vista como um "gatilho de inovação" para o sistema bancário aberto.

A Câmara de Compensação Eletrônica (CCE) do Peru oferece pagamentos em tempo real desde 2016, mas só atingiu a escala e o volume totais de suas “transferências interbancárias imediatas” em 2022, com o apoio da Mastercard. A participação da câmara de compensação automatizada do Peru, no entanto, difere da participação do banco central da Argentina. Embora a CCE tenha sido criada pelo banco central do Peru em parceria com outros bancos, ela não faz parte do banco central.

Assim como o comunicado da Argentina de maio de 2022 pode ser visto como um "gatilho de inovação" para o open banking, uma circular do banco central do Peru, de outubro de 2022 , apresenta estipulações semelhantes: todos os pagamentos e carteiras digitais devem ser interoperáveis, independentemente do provedor ou da conta.

A circular de 2022 alinha os principais provedores de carteiras digitais do Peru, mas não exige o uso da infraestrutura CCE em vez de transferências de dinheiro via celular pré-pagas. Os trilhos CCE também não são necessários para pagamentos instantâneos via cartão, utilizando cartões de débito virtuais, que também são usados para transferências quase em tempo real por provedores peruanos.

Segundo um comunicado da CCE, a teoria é que todos os provedores serão incentivados a usar os novos trilhos. Por enquanto, não existe um logotipo específico para distinguir as “transferencias interbancarias inmediatas” de baixo valor, voltadas para o cliente, da CCE, de todas as outras “transferencias interbancarias”. Resta saber se essa responsabilidade recairá sobre um consórcio bancário como o MODO, na Argentina.

Parte 2: Contexto e oportunidades de mercado

O impacto da reformulação do CCE foi imediato. De acordo com um estudo da Mastercard, a participação do dinheiro em espécie nas transações, que era de 81% em 2018, caiu para 58% em 2022, à medida que a participação dos pagamentos em tempo real cresceu de 3% para 18%.

Se incluirmos as transferências de dinheiro móvel pré-financiadas, a participação das transferências de crédito no total de transações sem dinheiro em espécie no Peru é a mais alta entre os seis países, atingindo 81%, de acordo com a MMT. Ao mesmo tempo, os pagamentos com cartão são os mais baixos entre os seis países, com 18%. A situação é essencialmente o inverso da Argentina, com 19% e 72%.

A comparação, no entanto, é um tanto enganosa. No Peru, o número de pagamentos com cartão por adulto por ano é de apenas 35  , contra 102 na Argentina, o que coloca os países em bases diferentes. Como era de se esperar, os saques em dinheiro como percentual do volume bruto de transações com cartão são maiores no Peru, com 66%, do que na Argentina, com 41%, e também são os mais altos entre os seis países, de acordo com a MMT.

Apesar de apresentar o segundo menor índice de penetração e uso de cartões, atrás apenas da Colômbia (2,3 por adulto, com um total de 35 pagamentos por ano), o Peru disputa com o Chile as primeiras posições no ranking de cartões sem contato. Segundo a MMT, no Peru, 87% dos cartões são habilitados para pagamento por aproximação e 44% dos gastos são realizados sem contato, números semelhantes aos do Chile, que são de 85% e 49%, respectivamente.

Os 78% de peruanos que afirmam fazer pagamentos online em um mês típico representam uma parcela quase tão grande quanto os 80% de brasileiros que afirmam o mesmo.

A abertura à tecnologia sem contato coincide com o uso crescente de dispositivos móveis para pagamentos. Apesar de o Pix não estar disponível no Peru, os 78% dos peruanos que afirmam fazer pagamentos online em um mês típico representam uma parcela quase tão grande quanto os 80% de brasileiros que afirmam o mesmo, segundo uma pesquisa da APA realizada em dez países da América Central e do Sul. A participação de argentinos, de 71%, fica abaixo da média de 73%.

O Peru supera o Brasil por uma pequena margem na mesma pesquisa da APA em relação ao interesse em um hipotético aplicativo de "pagamento por conta" que permite aos usuários verificar os saldos de suas contas em diferentes provedores antes de escolher uma conta para pagamento em qualquer estabelecimento que aceite cartões. A participação de 85% dos peruanos é superior à participação de 82% dos brasileiros e muito superior à participação de 73% dos argentinos, que ocupam a última posição.

A posição do Peru na fase de "gatilho da inovação" do ciclo de hype oferece às instituições financeiras oportunidades para inovar em antecipação ao open banking em um espaço emergente, à medida que os peruanos realizam cada vez mais transações digitais. Isso difere das oportunidades em lugares como o Brasil, na fase de "esclarecimento", para inovar com o open banking em um mercado já saturado.

Conclusão: Contexto e consentimento

Utilizar um ciclo de hype do open banking para representar as posições relativas do México, Brasil, Colômbia, Chile, Argentina e Peru é, na melhor das hipóteses, uma aproximação grosseira.

Consideremos apenas as regulamentações: a especificidade direcionada pode ser benéfica ou restritiva; a proteção contra o futuro não específica pode ser frustrante ou facilitadora. Poucas regulamentações se situam exclusivamente em um dos extremos.

Ao mesmo tempo, novas infraestruturas e tecnologias podem integrar um ecossistema ou adicionar mais complexidade ao mercado, que terá de resolvê-la. Até que ponto as medidas devem ser impostas pela direção superior? De que forma as instituições financeiras devem ajustar as suas abordagens em conformidade?

Os picos e vales no ciclo de hype podem ser abruptos e curtos ou graduais e prolongados. Seus gradientes e comprimentos podem variar não apenas em função de considerações específicas de cada país, mas também de acordo com categorias de produtos e grupos de clientes individuais dentro de cada país.

A Europa é um exemplo disso: o open banking também se apresenta em diversas formas por lá, apesar das circunstâncias operacionais aparentemente semelhantes em toda a região. Apesar dos sabores mais acentuados nos países latino-americanos, isso não os torna menos homogêneos em suas características culturais do que seus equivalentes europeus.

A preocupação comum com a inclusão financeira na América Latina está ligada a outra questão: o controle e o consentimento do cliente. Isso é importante em todo o mundo, já que a capacidade de lidar e analisar com segurança dados autorizados pelo cliente é fundamental para o open banking. Mas surgem desafios adicionais quando os clientes não estão familiarizados com o sistema financeiro ou não confiam nele. Mesmo com o índice de bancarização de 85% no Brasil, as preocupações com fraudes têm dificuldades em dissipar: as perdas estimadas chegaram a US$ 500 milhões em 2022, sendo 70% atribuídas à Pix pelo Banco Mundial.

"A preocupação com a segurança das minhas informações" é a principal preocupação dos clientes com o open banking no Brasil, Colômbia, Chile, Argentina e Peru, de acordo com uma pesquisa da Mastercard APA de 2023 realizada na América Central e do Sul. “Prefiro manter minhas informações financeiras confidenciais” é a segunda opção, exceto no Peru, onde por pouco não ultrapassa o terceiro lugar. A resposta é superada por "É muito difícil para mim organizar e fornecer todas as minhas informações financeiras" — ironicamente, uma oportunidade perfeita para um aplicativo de gestão financeira pessoal (PFM) que utilize o sistema bancário aberto.

Sem a permissão do cliente, regulamentações e infraestrutura favoráveis, combinadas com cenários e oportunidades de mercado promissores, não farão diferença. Uma boa maneira de as instituições financeiras obterem permissão é construindo e mantendo a confiança do cliente. A aplicação dos controles de privacidade e proteção de dados existentes é parte integrante da implementação do open banking. O mesmo se aplica ao controle que o cliente tem sobre seus dados e à transparência sobre como esses dados são usados, o que, por sua vez, se relaciona a questões mais amplas de educação financeira.

Para que as instituições financeiras tenham sucesso com o open banking na América Latina, elas precisarão, antes de tudo, mudar o currículo. Ao fazerem isso, eles também podem dar uma lição ao resto do mundo.

Descubra como as soluções de open banking da Mastercard capacitam parceiros, constroem a confiança do cliente e promovem a inclusão financeira na América Latina e no mundo todo, com orientação estratégica, implementação tecnológica, engajamento no mercado e aprimoramento contínuo.


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