Desde o lançamento da base de dados Findex do Banco Mundial em 2011, a posse de contas bancárias entre adultos cresceu de 51% para 79%. Mas um novo relatório da Consumers International, a organização global que reúne associações de consumidores, sugere que esse progresso mascara uma fragilidade subjacente, com até 75% dos consumidores considerados financeiramente vulneráveis em algum grau.
Em alguns países de baixa renda, menos da metade das pessoas consegue reunir fundos de emergência em 30 dias, afirma Helena Leurent, diretora-geral da Consumers International. “Esse nível de resiliência simplesmente não é razoável”, diz ela. “Não se pode esperar por outra crise financeira para corrigir esse problema e construir resiliência.”
Embora as políticas públicas possam ser uma ferramenta poderosa, não se pode tornar uma comunidade resiliente apenas com regulamentações. Os sistemas financeiros digitais precisam ser projetados com a inclusão como princípio fundamental, afirma Shamina Singh, presidente e fundadora do Mastercard Center for Inclusive Growth.
O Centro apoiou a iniciativa "Construindo a Voz do Consumidor nas Finanças Digitais" da Consumers International, que apela para que reguladores, legisladores, prestadores de serviços financeiros e organizações de consumidores adotem uma estrutura comum para fortalecer a resiliência do consumidor. O trabalho inclui a concepção e implementação de regulamentações baseadas em resultados, a integração do monitoramento de risco do consumidor em tempo real, o fortalecimento e a modernização da fiscalização, bem como a atualização e o desenvolvimento de produtos e serviços financeiros com proteção e feedback do consumidor incorporados.
Leurent e Singh conversaram recentemente com a Sala de Imprensa da Mastercard sobre o papel da transparência no fortalecimento da confiança do consumidor, a necessidade de maior colaboração para construir resiliência e como garantir que as comunidades vulneráveis não sejam deixadas para trás à medida que a tecnologia e os serviços financeiros mudam mais rápido do que nunca.
A entrevista a seguir foi editada e condensada.