Ken Whitfield, que ajuda a administrar o espaço, conta ao meu grupo sobre o trabalho da equipe aqui. Ele tem uma barba grisalha e uma voz grave e paciente que sugere que ele já enfrentou todos os tipos de complicações na área da comunicação e sobreviveu para contar a história. Este é um dos seis escritórios da MC&O no mundo, e os números com que as equipes trabalham são impressionantes. No ano passado, foram realizadas quase 160 bilhões de transações na rede Mastercard – cerca de 436 milhões por dia.
Para garantir que esses bilhões de transações ocorram sem problemas — a cada hora do dia, em praticamente todos os países do mundo, em dezenas de moedas e até mesmo além das fronteiras — Whitfield e centenas de outras pessoas monitoram cerca de meio milhão de alertas todos os meses. As equipes precisam analisar esses alertas, priorizar o que é importante e — nos casos mais graves — reunir equipes de resposta técnica para solucionar e corrigir o problema o mais rápido possível. Segundo Whitfield, o trabalho de monitoramento da Mastercard também detecta regularmente problemas nos sistemas dos clientes bancários e os informa proativamente sobre isso.
Assim como no caso do Centro de Energia, há uma série de planos de contingência previstos. Para garantir que a rede Mastercard permaneça operacional, equipes de monitoramento estão localizadas em diferentes pontos do mundo, e a própria rede inclui uma variedade de medidas de resiliência, desde cabos submarinos e conexões em nuvem até milhares de mini servidores de rede nas instalações dos clientes da Mastercard, que podem gerenciar transações de forma autônoma em caso de interrupção.
Em determinado momento, Whitfield direciona nossa atenção para a frente da sala, onde um grande monitor exibe um mapa-múndi com círculos que piscam em verde e branco, cada um representando uma conexão de rede Mastercard com um cliente. Quanto maior o círculo, mais transações são processadas por meio dessa conexão. "Não são todos os locais dos clientes", diz Whitfield sobre o mapa, "porque se fizéssemos isso, o mapa inteiro ficaria verde."
Ao sairmos do MC&O, nossa visita guiada à fábrica da Mastercard nos levou a conhecer diversas operações de segurança cibernética. Existe o Fusion Center, um espaço de colaboração onde equipes de toda a empresa preparam planos proativamente antes mesmo que uma possível crise aconteça. Affton Hennerich, que ajuda a gerir o Fusion Center, conta-nos como as equipas lá investigam as implicações das futuras redes de telecomunicações 6G e da inteligência artificial. “Isso nos permite avançar mais rapidamente, pois já temos esses cenários planejados”, ela nos diz.
Na sala ao lado, fica o Centro de Operações de Segurança, que monitora a infraestrutura física e cibernética da Mastercard, e no final do corredor está o Laboratório de Perícia Digital, um dos poucos laboratórios forenses privados com acreditação, usado para investigar crimes cibernéticos.