O financiamento imobiliário é uma das primeiras aplicações em que os dados alternativos estão se tornando um padrão da indústria. A Agência Federal de Financiamento Imobiliário (FHFA), que supervisiona empresas patrocinadas pelo governo, como a Fannie Mae e a Freddie Mac, que trabalham com instituições financeiras para ajudar os mutuários a obterem hipotecas, autorizou-as a usar dados bancários abertos novos e aprimorados, como histórico de aluguel e fluxo de caixa positivo.
Tanto a Fannie Mae quanto a Freddie Mac aplicam esses dados em seus respectivos sistemas de análise de crédito para ajudar as instituições financeiras a expandir o acesso ao crédito.
“Com o crescimento do open banking, conseguimos aproveitar os dados autorizados pelos consumidores para desenvolver uma visão mais abrangente de como um mutuário administra seu dinheiro e seus compromissos financeiros”, afirma Stacey Shifman, vice-presidente de Análise de Crédito ao Consumidor para Imóveis Residenciais da Fannie Mae. “Ao fazermos isso, podemos ajudar a criar mais oportunidades de aquisição de imóveis para aqueles que não possuem histórico de crédito.”
“Nossas inovações nivelam o campo de atuação e ajudam a tornar as casas mais acessíveis a mutuários cujos credores podem não tê-los qualificado com os métodos tradicionais de análise de crédito”, diz Kevin Kauffman, vice-presidente da divisão de Engajamento de Clientes de Imóveis Unifamiliares da Freddie Mac. “Isso deverá ajudar especialmente os compradores de imóveis pela primeira vez e as comunidades carentes.”
O sistema bancário aberto tem o potencial de fazer mais do que apenas viabilizar a aquisição da casa própria — ele também facilita o processo de compra de um imóvel. Em primeiro lugar, como o sistema bancário aberto depende da troca de dados por meio de conexões digitais, os mutuários geralmente não precisam recuperar cópias impressas de seus registros. Isso permite que as ofertas de empréstimo sejam feitas mais rapidamente e com menos complicações.
“Quanto mais documentos forem solicitados aos clientes, mais ansiedade eles sentirão”, diz Gonzalez, da Churchill, que enfatiza que usar registros digitais para documentar um empréstimo não significa relaxar os padrões de crédito — apenas torna as coisas um pouco mais fáceis para os mutuários.
“Uma das partes mais importantes para nós, como subscritores, é verificar se o cliente possui os recursos e os fundos necessários para concluir a transação”, diz Gonzalez. A Churchill utiliza a plataforma de open banking da Mastercard, fornecida pela Finicity, uma empresa da Mastercard, para ajudar a reunir os dados financeiros de um candidato de forma rápida e fácil.
“Estamos simplificando significativamente o processo de concessão de empréstimos hipotecários, reduzindo custos e diminuindo o tempo necessário para todo o processo de originação do empréstimo”, afirma Andy Sheehan, vice-presidente executivo de open banking da Mastercard na América do Norte. “Com o open banking, nossos objetivos finais são ajudar a mitigar o risco para os credores, melhorar a experiência do consumidor para o tomador de empréstimo e, em última instância, aumentar a inclusão financeira, ajudando os tomadores de empréstimo a comprovar melhor sua capacidade de crédito.”
Quando os Murphys foram à Churchill, o agente de crédito solicitou que eles autorizassem o acesso aos seus dados financeiros para a análise de crédito da hipoteca. Em outubro, o casal se mudou para sua nova casa, um duplex com três quartos e um banheiro e meio — espaço suficiente para eles, seu filho de dois anos e o bebê que estão esperando.
“Estou lhe dizendo”, diz Murphy, “é perfeito”.
Foto da capa cedida por Steve Murphy