“Comecei aprendendo lições sobre os métodos, táticas e capacidades que os hackers usam”, diz ele. “Mas, olhando para trás?” Acho que o que aprendi foi mais sobre como praticamente todas essas violações poderiam ter sido evitadas se as organizações simplesmente tivessem lidado com os fundamentos de TI e se esforçado para aprimorar ativamente seus processos.”
É essa abordagem que a empresa dele defende. Na prática, a empresa aplica metodologias de consultoria de gestão, pensamento enxuto e outras disciplinas no contexto da tecnologia para aprimorar os processos de TI, reduzindo os pontos de vulnerabilidade que podem ser explorados por agentes maliciosos.
Uma analogia simples seria uma fábrica de automóveis onde cada carro produzido apresenta defeitos — o volante desalinhado, parafusos faltando nos braços da suspensão, as linhas de freio cheias de ar e outros defeitos. Seria ridículo, diz ele, contratar mais pessoas para corrigir todos esses defeitos nos carros já prontos. Em vez disso, você abordaria o problema, provavelmente durante o processo, na estação da linha de montagem onde esses defeitos estão ocorrendo — reduzindo o número de defeitos e também os custos.
No entanto, segundo van der Gaast, a abordagem em cibersegurança é em grande parte a primeira, e por isso o setor tem permanecido amplamente reativo em vez de proativo, com as causas subjacentes permanecendo praticamente intocadas.
“Fundamentalmente, estamos numa espécie de corrida armamentista [para manter os hackers longe das nossas vulnerabilidades], mas precisamos nos perguntar por que estamos enfrentando tantos desafios?”, diz ele. “Ou seja, por que temos essas vulnerabilidades em primeiro lugar?”
O ex-hacker vem fazendo perguntas tão abrangentes há três décadas, e essa linha de questionamento nunca foi tão relevante para as empresas e para a sociedade em geral.