No mundo da tecnologia, o modelo de negócios "como serviço" está crescendo rapidamente, e os grupos criminosos seguiram o exemplo, oferecendo ransomware como serviço e malware como serviço, entre outras opções. As empresas de teste de cartões não são diferentes. Eles atendem aos cibercriminosos que compram números de cartões de crédito roubados na dark web, vendendo acesso a softwares automatizados para testar quais cartões comprometidos ainda são válidos e possuem fundos disponíveis.
Em um caso recente descoberto pelo Departamento de Justiça dos EUA, o serviço de teste de cartões Try2Check — descrito como o "padrão ouro" das plataformas ilegais de verificação de cartões de crédito — oferecia um menu com diferentes transações de teste. O serviço executaria então milhões de tentativas de pré-autorização nos cartões roubados, que têm menos probabilidade de acionar as regras de fraude ou de serem detectadas pelos titulares legítimos dos cartões. A aprovação confirma que o cartão é válido. Uma vez que os dados do cartão comprometidos são vendidos, seus novos "proprietários" podem usar essas informações para fazer compras fraudulentas.
Em maio, o Departamento de Justiça identificou o suposto mentor do Try2Check, acusando-o de fraude com dispositivos de acesso, invasão de computadores e lavagem de dinheiro. A plataforma realizava dezenas de milhões de verificações por ano, rendendo ao réu — que permanece foragido — pelo menos 18 milhões de dólares em bitcoin.
Mesmo com a acusação e o fechamento de um importante serviço de testes como o Try2Check, a atividade de testes continua sendo um pilar inevitável e crucial no ciclo de vida das fraudes cibernéticas com cartões de pagamento. Milhões de transações de teste são realizadas todos os anos, e os criminosos continuam a adaptar suas técnicas à medida que o ecossistema de pagamentos evolui.