Não é segredo que a temporada de premiações de 2025 foi repleta de drama suficiente para render um filme próprio. Desde tweets maldosos que ressurgiram até a falta de um coordenador de intimidade em um dos sets de filmagem, havia muito o que discutir. Um tema se destacou dos demais, pois não havia sido uma preocupação ou questão relevante no passado: a inteligência artificial tem lugar em filmes aclamados pela crítica?
Tanto "Emilia Pérez", da Netflix, quanto "The Brutalist", da A24, dominaram as indicações a prêmios este ano. Embora o reconhecimento por parte dos grupos de votação não tenha surpreendido muitos, a controvérsia surgiu quando foi revelado que a empresa de software Respeecher foi utilizada em ambos os filmes para alterar as vozes de diferentes atores.
O uso de inteligência artificial na produção de “Emilia Pérez” foi revelado pela primeira vez em maio, durante uma entrevista com o técnico de som do filme, Cyril Holtz, no Festival Internacional de Cinema de Cannes. Holtz revelou que a equipe trabalhou com a Respeecher para implementar técnicas de clonagem de voz, visando aprimorar a extensão vocal da personagem principal do filme, interpretada por Karla Sofía Gascón. Para ampliar sua extensão vocal, a voz de Gascón foi combinada com a de Camille, cantora francesa e coautora da trilha sonora do filme.
Durante a temporada de campanhas para premiações, a controvérsia em torno do uso de inteligência artificial em "The Brutalist" veio à tona depois que o editor Dávid Jancsó discutiu o uso da tecnologia Respeecher no filme em uma entrevista. A inteligência artificial foi usada para aprimorar o dialeto húngaro falado pelos atores Adrien Brody e Felicity Jones, principalmente para refinar o sotaque complexo. Embora a produção tenha inicialmente tentado usar a substituição automática de diálogos tradicional para resolver o problema, isso não funcionou, levando-os a explorar opções de IA.
O diretor do filme, Brady Corbet, defendeu prontamente o uso de inteligência artificial, esclarecendo que ela foi empregada apenas para refinar o diálogo húngaro, a fim de preservar a autenticidade das atuações dos atores, e não para substituí-los.
Embora o uso de IA em ambos os filmes não os tenha impedido de ganhar importantes prêmios nesta temporada, a discussão sobre a integridade das atuações dos atores quando a IA está envolvida continua sendo um tema importante na indústria, à medida que a tecnologia continua a evoluir e a ser utilizada de diversas maneiras.
No coração de cada filme estão as pessoas — os atores, criativos e roteiristas que dão vida às histórias. Embora a inteligência artificial traga avanços empolgantes para Hollywood, a indústria provavelmente continuará a debater-se sobre como usar a tecnologia para garantir que ela mantenha a essência da experiência cinematográfica: o toque humano.