As previsões sobre o boom da inteligência artificial feitas há apenas dois anos tendiam a extremos: por um lado, havia relatos otimistas sobre a IA resolvendo todos os problemas e, por outro, visões distópicas de um mundo governado por robôs. Ambos parecem ter se deparado com a realidade.
Na terceira edição anual da Impact Data Summit, organizada pelo Mastercard Center for Inclusive Growth no Tech Hub da empresa em Manhattan, as palavras de ordem foram “otimismo pragmático” e “realismo idealista”.
Realizada durante a Semana das Nações Unidas, a cúpula reuniu líderes da política, organizações multilaterais, academia, organizações sem fins lucrativos e do mundo da tecnologia para compartilhar ideias sobre como usar a tecnologia e os dados para o bem. As discussões variaram desde a redução da desigualdade no acesso a dados até o desenvolvimento de futuros talentos na área de dados e a regulamentação responsável. O dia foi repleto de exemplos reais de IA inclusiva em ação e de como as parcerias público-privadas podem acelerar o impacto.
Por exemplo, uma iniciativa chamada DISHA, ou Data Insights for Social Humanitarian Action (Informações de Dados para Ação Social Humanitária), reúne tecnólogos, acadêmicos, filantropos e outros parceiros para ampliar o uso de produtos de IA. A DISHA, liderada pelo laboratório de inovação Global Pulse da ONU, revelou recentemente um novo produto que identifica edifícios danificados a partir de imagens de satélite após um desastre, seis vezes mais rápido do que especialistas no local, afirmou Katya Klinova, que lidera os esforços em dados e IA do laboratório.
“Os profissionais da área humanitária precisam dessa análise o mais rápido possível”, disse ela. “Cada hora pode significar a diferença entre vidas salvas e perdidas, e esses projetos só se tornam possíveis quando, em diversas organizações, as pessoas trabalham como uma só equipe.”
Em Ruanda, a consultoria global de IA Sand Technologies queria testar um projeto piloto de "clínica em uma caixa" — uma forma de aproveitar a IA em áreas rurais para potencializar os diagnósticos, disse o fundador e CEO Fred Swaniker.
Hoje, disse Swaniker, o Ministério da Saúde consegue ver quantos bebês nasceram em um determinado dia e onde a doença está se alastrando por distrito. “Isso transformou todo o sistema de saúde, que passou de reativo e caro para mais preditivo e preventivo — e em grande escala.”
Aqui estão quatro pontos-chave sobre como aproveitar a IA e a ciência de dados de forma responsável, inclusiva e de maneiras que beneficiem o maior número de pessoas: