No início do projeto, os pesquisadores enviaram ao espaço amostras de madeira, incluindo magnólia, cerejeira e bétula, para testes, selecionando a magnólia, proveniente da floresta da empresa Sumimoto Forestry, como a candidata vencedora devido à sua estabilidade e leveza.
O LignoSat é uma caixa do tamanho de uma xícara de café, com painéis de madeira de menos de meia polegada de espessura sobre uma estrutura de alumínio. O cubo foi montado utilizando uma técnica tradicional japonesa chamada sashimono, que consiste em montar objetos de madeira sem pregos, empregando encaixes complexos. Essa abordagem garante que as peças se encaixem perfeitamente e que essa construção não afete a transmissão de rádio ou os equipamentos mecânicos quando estiverem em uso na estação.
"Quando você usa madeira na Terra, enfrenta problemas como queimaduras, apodrecimento e deformação, mas no espaço, esses problemas não existem", disse Koji Murata, pesquisador da Universidade de Kyoto, à CNN. “Não há oxigênio no espaço, então ele não queima, e nenhuma criatura viva vive nele, então ele não apodrece.”
Quando o LignoSat chegar ao fim de sua vida útil mecânica, ele descerá à atmosfera e se queimará, deixando apenas cinzas biodegradáveis. Os satélites metálicos tradicionais podem gerar riscos de poluição atmosférica durante a reentrada na atmosfera. Isso pode representar um grande avanço na busca por soluções criativas que considerem tanto o desempenho quanto o impacto ambiental dos materiais utilizados.
Durante sua missão de seis anos, o satélite coletará dados sobre a expansão e contração da madeira, bem como sua resistência ao calor. Seu projeto também testará se a madeira pode ser usada para fins estruturais no espaço. Esses dados serão posteriormente utilizados pela estação de comunicações da Universidade de Kyoto para o desenvolvimento de um segundo satélite, o LignoSat-2.
“Expandir o potencial da madeira como um recurso sustentável é significativo”, disse Takao Doi, professor da Universidade de Kyoto e astronauta, ao The Japan Times. “Nosso objetivo é construir habitats humanos usando madeira no espaço, como na Lua e em Marte, no futuro.”