O uso da biometria para autenticação de identidade remonta a séculos, talvez ao reinado de Hamurabi na Babilônia, há quase 4.000 anos, quando as impressões digitais eram usadas para selar contratos. Os padrões únicos das cristas dos dedos foram usados para autenticação ao longo dos séculos na China, no Japão e na Pérsia. No final do século XIX, as impressões digitais já eram utilizadas em investigações criminais — um duplo homicídio particularmente brutal em Buenos Aires, em 1892, é considerado o primeiro a ser solucionado através da comparação das impressões digitais encontradas na cena do crime com as do suspeito.
Na década de 1930, um oftalmologista propôs pela primeira vez o uso do padrão da íris como ferramenta de reconhecimento, mas a tecnologia só acompanhou essa ideia sessenta anos depois. E o precursor da atual tecnologia de reconhecimento facial instantânea remonta à década de 1960, quando o pioneiro da inteligência artificial Woody Bledsoe e seus colegas usaram um computador para calcular, armazenar e reconhecer as distâncias entre as coordenadas de rostos humanos a partir de fotografias.
Embora as agências de aplicação da lei utilizem impressões digitais desde a Revolução Industrial, foi somente neste século que a biometria se popularizou entre o público, principalmente com o surgimento dos leitores de impressões digitais em smartphones. O Índice de Novos Pagamentos de 2022 da Mastercard mostra que mais de seis em cada dez consumidores em todo o mundo acreditam que a biometria é mais segura do que um PIN, senha ou outras formas de identificação, incluindo a autenticação de dois fatores.
E novos tipos de biometria física estão surgindo — desde o reconhecimento de voz até os padrões dos vasos sanguíneos. Aliado ao crescimento da biometria comportamental — o estudo de como caminhamos, o ângulo em que seguramos o telefone, a velocidade com que digitamos — o uso da biometria continuará a se expandir à medida que mais aspectos de nossas vidas se tornam digitais.
A Mastercard investe em inovação biométrica há anos, tendo introduzido a autenticação biométrica para compras digitais em 2015 e lançado um cartão biométrico para segurança adicional em compras em lojas físicas no ano seguinte. A Mastercard passou anos desenvolvendo padrões para permitir que os consumidores usem seus dados biométricos em diferentes varejistas e fornecedores de tecnologia, em qualquer lugar do mundo.
Segundo Bhalla, a interoperabilidade é fundamental para concretizar o potencial da tecnologia; a biometria já pode ser usada não apenas para comprar uma garrafa de água no mercado local, mas também para acessar e compartilhar seus registros médicos ou verificar sua identidade para exames online ou compras com restrição de idade: “A biometria traz facilidade e segurança na mesma medida, e é nossa responsabilidade inspirar confiança em todos os lugares onde as pessoas interagem com o ecossistema digital, desde o caixa do supermercado até as compras online e o metaverso.”
Romeu Alves da Costa é um cliente do supermercado St. Marche que se cadastrou no programa de pagamento biométrico e se sente confortável em deixar sua carteira em casa.
“Adoro tecnologia, tudo o que é inovador e a praticidade de pagar apenas com o rosto”, diz ele após fazer uma compra na loja Jauaperi. "Consigo me imaginar pagando com o meu rosto no futuro em postos de gasolina, no transporte público, no cinema, em todo lugar."