Ir para o conteúdo principal

ARTIGO

ISO 20022: é imprescindível para o processamento de pagamentos domésticos?

A norma ISO 20022 existe desde 2004 e, embora tenha levado duas décadas, finalmente está a ganhar impulso para otimizar e melhorar o espaço de pagamentos internacionais e de alto valor. Agora, o próximo desafio a ser enfrentado é: o que isso significa para os pagamentos internos – a migração é necessária? E, caso contrário, quais são os benefícios da migração e quais são os casos de uso que sustentam esse processo de tomada de decisão? Para responder a essas perguntas, primeiro precisamos contextualizar o cenário em que as diretrizes são relevantes.

A migração dos tipos de mensagem SWIFT legados (MT) para mensagens ISO 20022 no âmbito dos bancos correspondentes (conhecida como migração de MT para MX) está em andamento, embora lentamente (passando de 15% quando a migração começou em março de 2023 para 18% no final de 2023). Existem normas claras para pagamentos transfronteiriços (CBPR+) e para pagamentos de alto valor (HVPS+), juntamente com recomendações sobre a melhor forma de utilizar as diretrizes (CPMI) e sobre os prazos estabelecidos.

O que é o quê?

Alguns termos para refrescar sua memória:

  • MT (Tipos de Mensagem SWIFT) - introduzido em 1977, é o padrão utilizado para pagamentos, gestão de caixa, financiamento comercial e operações de tesouraria.
  • ISO 20022 (formato MX) - estabelecida em 2004 para implementar melhorias que reduzam a intervenção manual e aprimorem a prevenção de fraudes.
  • CBPR+ (Pagamentos e Relatórios Transfronteiriços Plus) - diretrizes globais sobre práticas comerciais e implementação da ISO 20022 para garantir a implantação e implementação harmonizadas pelos bancos.
  • HVPS+ (High Value Payment Systems Plus) - diretrizes de uso para pagamentos de alto valor que visam dar suporte ao processamento direto completo (STP) e melhores resultados para o cliente, promovendo, em última instância, a interoperabilidade entre as Infraestruturas de Mercado (IMs).
  • O CPMI (Comitê de Pagamentos e Infraestruturas de Mercado do Banco de Compensações Internacionais (BIS)) concentra-se na cadeia de ponta a ponta para abordar possíveis desalinhamentos entre as diretrizes de uso estabelecidas para uma etapa específica em um pagamento internacional.
  • Pagamentos domésticos – não há “obrigação” global de migração, mas uma atualização das diretrizes do IP+ (Instant Payments Plus) está a caminho.

Falando todos os “dialetos” da ISO 20022

Agora, como é que estas coisas se relacionam entre si? CBPR+ e HVPS+ são muito semelhantes (o primeiro abrange transações bancárias transfronteiriças de correspondentes e o segundo abrange pagamentos de alto valor), mas não há uma correspondência perfeita - um pagamento enviado para uma Infraestrutura de Mercado (MI) usará o tipo de mensagem de transferência de crédito (pacs.008) Com base nas diretrizes de utilização do HVPS+, e assim que for repassado a um banco correspondente, este utilizará as diretrizes de utilização do CBPR+. Portanto, os bancos precisarão garantir que compreendam ambas as diretrizes e "falem" todos os "dialetos" da ISO 20022.

O CPMI aprofunda ainda mais o assunto, traduzindo diretrizes comuns em práticas eficazes (como o uso do ID de Referência Único de Ponta a Ponta ou UETR), por exemplo, como usar os elementos de data e hora, e assim por diante.

Mas o que tudo isso significa para os pagamentos internos?

Os bancos que operam em transações internacionais precisam migrar para a norma ISO 20022, e recomenda-se que as câmaras de compensação de alto valor também migrem, mas ninguém parece estar falando sobre pagamentos domésticos. Neste âmbito específico, não existe qualquer obrigação, a menos que seja determinada pelo banco central ou pela autoridade monetária de um país. Então, eles não precisam investir nessas mudanças, certo? Bem, depende. Se a conexão com processadores de pagamento de outros países for imprescindível, então optar por um padrão comum faz sentido. Para os participantes do setor bancário, também pode ser interessante ter formatos bem alinhados para suas transações nacionais e internacionais, pois isso lhes permitiria utilizar melhor seus recursos de pagamento e operações em termos de compartilhamento de conhecimento.

Conclusão

Para as empresas, o valor da ISO 20022, ao fornecer dados que auxiliam na melhor conciliação, por exemplo, é igualmente relevante para os pagamentos domésticos. Quando um país ou região pensa em substituir sua plataforma de pagamentos existente, como está acontecendo na região nórdica, é preciso considerar não apenas o uso da norma ISO 20022, mas também o que precisa ser incluído para facilitar a conectividade transfronteiriça quando chegar a hora. Portanto, não existe uma resposta única – cada processador precisa analisar seu próprio caso de uso para determinar o que faz sentido.

Embora não haja, neste momento, uma obrigação global para que os pagamentos domésticos migrem para a ISO 20022, avaliar o que é melhor de acordo com as necessidades de pagamento pode ser uma decisão estratégica, a fim de facilitar a conectividade transfronteiriça e utilizar os recursos operacionais de forma mais eficaz.

Os bancos que operam em transações internacionais precisam migrar para a norma ISO 20022, e recomenda-se que as câmaras de compensação de alto valor também migrem, mas ninguém parece estar falando sobre pagamentos domésticos. Neste âmbito específico, não existe qualquer obrigação, a menos que seja determinada pelo banco central ou pela autoridade monetária de um país. Então, eles não precisam investir nessas mudanças, certo? Bem, depende. Se a conexão com processadores de pagamento de outros países for imprescindível, então optar por um padrão comum faz sentido. Para os participantes do setor bancário, também pode ser interessante ter formatos bem alinhados para suas transações nacionais e internacionais, pois isso lhes permitiria utilizar melhor seus recursos de pagamento e operações em termos de compartilhamento de conhecimento.