A Mastercard quer dar o direito de escolha a consumidores e empresas

Ajay Banga, Chairman da empresa, explica a transformação da líder no mercado de cartões de crédito em empresa de inovadores meios de pagamentos e provedora de serviços de alta tecnologia para parceiros de todas as áreas.

Por décadas, a Mastercard foi mundialmente conhecida como uma das empresas líderes no segmento de cartões de crédito. Mas, nos onze últimos anos, a companhia navegou em mares ainda mais desafiadores e se firmou como fornecedora de serviços de alta tecnologia a parceiros de todos os setores econômicos, provedora de pagamentos em tempo real e operadora de sistemas de open banking mundo afora.
Em entrevista à revista Fortune, o indiano Ajay Banga, Chairman global da Mastercard e responsável por essa transformação, falou sobre a guinada da Mastercard nestes tempos de revolução financeira e tecnológica. “A realidade é que nós não somos e não temos sido mais só uma empresa de cartões de crédito. Hoje, um terço do nosso faturamento vem de algo que nós não tínhamos antes: análise de dados, cibersegurança, inteligência artificial. Dos outros dois terços, parte vem de pagamentos em tempo real, inclusive entre contas bancárias. Isso nos deixa com uma significativa quantia de todos os outros tipos de transação, entre as quais, as de débito e as pré-pagas, que são agora enormes”, completou.
Os resultados são impressionantes. Nos últimos dez anos, a empresa subiu da 256ª posição no ranking das mais valiosas companhias mundiais para o 21°degrau no ranking da S&P 500, com retorno acumulado de 1.581% aos seus acionistas. O lucro global anual da Mastercard saltou de US$ 1,85 bilhão, em 2010, para US$ 8,12 bilhões em 2019, segundo a S&P Global. Banga atribui parte dessa conquista às consistentes políticas de recursos humanos adotadas, que aliam uma forte cultura organizacional, pautada pelo que a companhia chama de quociente de decência, um conjunto de diretrizes de integridade e ética, com diversidade e inclusão.
A Mastercard abraçou as mais diferentes e inovadoras formas de pagamento criadas nos últimos anos e se transformou para competir nesse campo, marcado pela desintermediação, explicou Banga. O que significa a desintermediação? Prover ao consumidor ou à empresa a escolha da forma como quer pagar sua conta - à vista, crédito, postergada, pré-paga - e do meio - cartão, celular, outros meios digitais. “A desintermediação dos nossos negócios é dar o direito de escolha aos consumidores e empresários. Isso é o nosso modelo de negócio.”
No Brasil, a Mastercard também está à frente dessa revolução nos meios de pagamento. O Open Banking, que deverá ser iniciado no final de 2021, permitirá que as pessoas decidam se querem compartilhar seus dados financeiros para conseguir serviços e produtos mais variados e vantajosos.
A experiência da Mastercard na Europa e nos Estados Unidos, onde esse modelo já está em operação, a credencia a atuar em várias frentes: no aumento da segurança para os dados do cliente do Open Banking e na prevenção de fraudes e lavagem de dinheiro; no gerenciamento dos consentimentos dos usuários; na administração das diferentes redes de múltiplos participantes; e na solução de conflitos e monetização de informações sobre transferências de dinheiro e pagamentos.
A Mastercard também trabalha com seus parceiros para implantar, no Brasil, uma nova modalidade imediata de pagamentos via cartão.
Essas transformações têm os objetivos de aumentar a inclusão financeira de parcelas da população e, em última instância, de reduzir o volume de dinheiro vivo em circulação. Diante do amplo universo de excluídos do setor financeiro e do uso excessivo de dinheiro em espécie, Banga e sua equipe concluíram que a tecnologia e as parcerias da Mastercard fariam a diferença de forma comercialmente sustentável.
“Quando cheguei à Mastercard, percebi que meu maior concorrente não eram as outras formas de pagamento eletrônico. Nossa competição era com o dinheiro. Notas e moedas eram responsáveis por 85% de todas as transações no varejo naquela época”, afirmou o executivo, alçado ao comando da empresa em 2010.
A Mastercard passou a munir-se de instrumentos para sua própria recolocação no mercado global como operadora de sistemas de pagamentos em tempo real e de open banking e como parceira tecnológica de empresas de todos os setores desafiadas a competir, inovar e prover segurança digital.
Sem esquecer sua firme atuação na vertente dos cartões de crédito, a Mastercard comprou a Vocalink, a empresa britânica que gere desde 2008 o sistema de pagamentos em tempo real do Reino Unido, a NuData Security, especializada em biometria passiva comportamental, a RiskRecon, capaz de prover avaliação constante de riscos cibernéticos, e a Brighterion, dedicada ao uso de inteligência artificial na análise de dados para melhor orientar as empresas, entre outras.
O resultado é que a companhia oferece hoje soluções que vão de segurança de dados e detecção de risco de fraudes a ferramentas que facilitam as transações financeiras para auxiliar empresas grandes ou pequenas a gerir seu capital e inovar na tomada de decisões de negócio, impactando positivamente toda a cadeia, até o consumidor final.