Insights económicos
2 de Setembro de 2026
A América celebrou 250 anos este verão e, pelos vistos, a celebração atraiu uma multidão global. Utilizando informações agregadas e anonimizadas do Mastercard Economics Institute sobre os gastos de visitantes internacionais em junho e julho, surge um cenário claro: enquanto os E.U.A. estavam ocupados a celebrar um marco, o resto do mundo estava ocupado a reservar voos.
Desde multidões em estádios a miradouros em parques nacionais e a uma presença verdadeiramente notável num pub de Boston, eis por onde passaram os visitantes e o que os gastos revelam sobre o verão em que o mundo veio à América.
Alguns dos maiores ganhos vieram de países que normalmente não lideram a lista de visitantes internacionais aos EUA. Vários mercados enviaram mais visitantes em junho do que em qualquer outro mês desde 2000 — essa lista inclui o Uruguai, o Uzbequistão, Marrocos, a Croácia e a Bósnia.
Os aumentos anuais foram ainda mais pronunciados. As chegadas do Paraguai aumentaram 212%, a Croácia subiu 188%, a Bósnia cresceu 138% e Marrocos acrescentou 104%. Mesmo um mercado com muita experiência de viagem como o Reino Unido, que dificilmente precisa de indicações para Nova Iorque, cresceu 17%. Quando os visitantes vêm de tantas direções ao mesmo tempo, algo maior está a acontecer.
Foi um ano muito importante para o futebol, e o mapa de gastos tornou isso evidente. Certas cidades viram multidões internacionais aumentar à volta dos seus maiores estádios e, para vários países, uma parte notável dos gastos dos EUA concentrou-se exatamente aí. Os visitantes noruegueses, em particular, concentraram os seus gastos à volta de alguns estádios. Onde quer que a ação estivesse, as carteiras seguiram.
O basebol também fez girar os torniquetes. Oito dos 30 principais destinos por número de transações foram estádios de basebol, e o desporto representou 6% das despesas de restauração e lazer dos visitantes japoneses, uma devoção que viajou diretamente de Tóquio para as bancadas. Os fãs japoneses afluíram para ver os Dodgers, enquanto britânicos e noruegueses encheram as bancadas para os Red Sox, registando 15 000 transações apenas num histórico estádio de Boston. Leva-os ao jogo de basebol, de facto.
Falando de Boston: um pub irlandês na cidade registou mais transações internacionais do que qualquer outro restaurante ou bar na América fora de locais de eventos, e isso aconteceu numa sala de bar com 258 lugares. Para colocar isto em perspetiva, o gasto ali durante junho e julho foi equivalente a cerca de 27 000 imperiais, confortavelmente mais do que qualquer bar tem o direito de servir num verão. Os pubs irlandeses tiveram claramente um momento a nível nacional, representando nove dos 15 bares mais visitados por turistas, mas Boston dominou, reivindicando seis dos 15 principais por si só.
Os gostos também viajaram. Os visitantes japoneses gastaram bastante em carne, com as casas de bife a representarem 10% das despesas deste grupo em restaurantes e bares. Os visitantes portugueses seguiram um caminho totalmente diferente, procurando churrasco coreano, hibachi, vietnamita e tailandês. E o churrasco contou uma história muito regional: representou pouco mais de 1% da despesa nacional em restaurantes, mas quase metade de cada dólar gasto em restaurantes no Kansas. Mais a sul, Dallas conquistou a coroa dos fumados, com um total de despesas em churrasco superior ao de qualquer outra cidade. Cozinhar lentamente, ao que parece, viaja bem.
Para muitos visitantes, o itinerário parecia um expositor de postais. Os viajantes europeus dirigiram-se diretamente para os espaços amplos: os visitantes belgas, franceses e alemães registaram a maior quota de despesas em restaurantes dentro dos parques nacionais dos EUA, trocando as luzes da cidade por vistas sobre os desfiladeiros. Yellowstone, na fotografia abaixo, e o Grand Canyon lideraram o grupo, sendo que este último ocupou o 19.º lugar para os visitantes franceses e o 21.º para os belgas, muito acima da sua classificação geral (133.º) entre visitantes de outros países. Verifica-se que as maravilhas naturais funcionam muito bem na tradução.
As outras atrações mais visitadas do verão variaram desde centros espaciais a miradouros de Nova Iorque, incluindo o Empire State Building, desde visitas a estúdios de Hollywood ao Country Music Hall of Fame de Nashville. Algo para os entusiastas do espaço, os caçadores de horizontes e também para o público do honky-tonk.
Não seria um verão americano sem uma rivalidade entre Nova Iorque e Boston, e os dados dos visitantes mantiveram o resultado renhido. Nova Iorque conquistou a maior fatia das despesas de vários países, atraindo 34% dos dólares americanos da Noruega e 23% de cada um, de Espanha e França. Quando os visitantes internacionais imaginam a América, o Empire State Building continua a projetar uma longa sombra.
Mas Boston recusou-se a ficar nos lugares baratos. A cidade captou 4% de toda a despesa dos visitantes, e muito mais dos viajantes que mais a adoraram (e, aparentemente, a cerveja): 14% dos dólares da Noruega e 6% do Reino Unido. Boston albergava seis dos 15 bares mais visitados pelos turistas, e era um íman particular para os visitantes portugueses, que gravitavam em direção à zona perto de Fall River, a cidade mais portuguesa da América. Mercado mais pequeno, maior oscilação.
Os E.U.A. passaram o verão a celebrar 250 anos. Os sinais mostram que o mundo celebrou juntamente com os E.U.A. — um jogo de basebol, uma partida de golfe e um miradouro de cada vez. O marco foi a desculpa, mas a verdadeira história foi a lista de convidados e a distância que as pessoas percorreram para fazer parte dela.