21 de outubro de 2025
A região da Ásia-Pacífico está a passar pela maior expansão da classe média da história. Em 2035, albergará 3,2 mil milhões dos 5 mil milhões de consumidores de classe média do mundo. Esta transformação está a remodelar o consumo global, o comportamento financeiro e o envolvimento digital, criando uma nova procura por produtos e soluções financeiras, como carteiras digitais, acesso a serviços financeiros e contas de poupança.
O crescimento da classe média na região representa uma oportunidade única para construir economias inclusivas — e para servir uma base de consumidores crescente, cada vez mais conectada, empreendedora e digitalmente capacitada.
Em particular, as nações que constituem a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) estão a emergir como um poderoso pilar de dinamismo da classe média. Se a região da ASEAN fosse uma única economia, ocuparia o terceiro lugar global em termos de acréscimos à classe média até 2035, acrescentando 112 milhões de pessoas — logo atrás da Índia (411 milhões) e da China (163 milhões). Esta mudança representa uma oportunidade crucial para moldar o futuro do crescimento económico inclusivo.
Para desbloquear este potencial, estamos a estabelecer parcerias para mapear a trajetória da classe média em diferentes regiões geográficas, gerações e faixas de rendimento. O nosso trabalho conjunto revelará as ideias e os conhecimentos que ajudarão os decisores políticos, os líderes do sector público e as organizações a investir em sistemas que promovam um crescimento resiliente.
Os países da ASEAN encontram-se em diferentes fases desta transição para a classe média, que se está a tornar rapidamente maioritária na região. Mais de 50% da população de Singapura, Tailândia e Vietname é considerada de classe média, com uma participação activa na economia e acesso tanto a rendimento disponível como a poupanças regulares. Na Malásia, este número sobe para 89%. Entretanto, a Indonésia e as Filipinas alcançarão uma maioria de classe média até 2031-2032.
Com rendimentos que variam entre 13 e 120 dólares por dia, estes indivíduos terão um impacto desproporcional na mobilidade económica e nos resultados da região da ASEAN. Com o aumento dos rendimentos, as pessoas gastam mais em educação, saúde, lazer e serviços financeiros. Prevê-se que os gastos discricionários na Ásia cresçam de 23 biliões de dólares em 2025 para 35 biliões em 2035. E os gastos com serviços financeiros mais do que duplicarão, atingindo os 1,2 triliões de dólares.
Este crescimento irá remodelar os padrões de consumo, aumentando a procura por produtos e serviços seguros, como as contas digitais. Isto criará novas oportunidades para as pequenas empresas — um novo conjunto de consumidores que poderá impulsionar a procura e proporcionar oportunidades de crescimento. E isso impulsionará um crescimento económico mais inclusivo em todo o mundo — uma classe média mais forte significa um caminho para a saúde financeira, a resiliência e a segurança.
Uma vez que a maior parte desta região está em transição ou já é predominantemente de classe média, devemos aproveitar a oportunidade para garantir que todos têm acesso aos benefícios de uma economia digital. Isto significa que milhões de pessoas estão prontas para aceder a ferramentas e recursos — como linhas de crédito, contas poupança, carteiras digitais e pagamentos móveis — que podem ajudar a garantir o seu estatuto de classe média e desbloquear o seu potencial económico.
Para compreender como esta expansão poderá moldar os nossos próximos passos no apoio à oportunidade económica e ao crescimento, estamos a identificar pontos de viragem, como os níveis de rendimento a que as pessoas têm acesso a ferramentas financeiras e começam a participar na economia moderna. Por exemplo, o acesso ao financiamento começa normalmente por cerca de 5 dólares por dia, enquanto a adoção de cartões de crédito começa mais perto dos 25 dólares por dia. Estes limiares ajudam-nos a compreender a viagem rumo à mobilidade económica e que intervenções podem acelerar esta viagem.
As lacunas na inclusão também são importantes, por isso podemos tomar medidas para trazer todos para a classe média. A fraca adesão às carteiras digitais na Ásia rural e a irregularidade das poupanças no Vietname demonstram porque precisamos de unir esforços para ajudar as empresas, os governos e as organizações a conceber intervenções que apoiem a ascensão económica.
No dia 24 de outubro, o Mastercard Center for Inclusive Growth realizará a sua primeira Cimeira de Crescimento Inclusivo da ASEAN, onde líderes dos setores privado, público, governamental e de impacto social se reunirão para discutir as oportunidades na região da ASEAN — e, mais importante, compreender como impulsionar a saúde financeira e o crescimento inclusivo para as pessoas da região. Esta é uma oportunidade única para irmos além da inclusão financeira e investirmos em sistemas que tornem a prosperidade sustentável e duradoura.
Esta mudança é uma história de mobilidade económica, inclusão financeira e crescimento económico inclusivo. A classe média emergente não é apenas uma estatística ou uma tendência. É uma história de ambição, resiliência e transformação — e a ASEAN está a escrever o próximo capítulo.