Emissão de cartão de crédito cresce mais rápido entre a baixa renda, aponta estudo da MasterCard
São Paulo, 25 de outubro de 2007 – O enriquecimento da população que ocupa os estratos inferiores da pirâmide social tem sido um dos principais motores do crescimento do mercado de consumo no país. Entre 2005 e 2006, houve uma redução de 3,6 pontos no percentual dos brasileiros considerados pobres. Enquanto em 2005, 30,5% da população vivia na pobreza, em 2005 esse índice era de 30,5% e, 10 anos antes, de 33,2%*.Esse movimento tem alimentado a expansão do mercado crédito e, consequentemente, o de meios de pagamento eletrônicos. Segundo pesquisa da MasterCard Advisors, consultoria da MasterCard especializada em meios de pagamento, em 2004, do total de cartões de crédito emitidos no país, 11% estavam nas mãos da baixa renda; em 2006 esse percentual já era de 15%. O estudo mostrou ainda que 26% dos entrevistados de baixa renda pretendiam adquirir um cartão nos 12 meses subsequentes à pesquisa, enquanto no restante do mercado esse percentual era de 19%.
“O aumento da participação da baixa renda no mercado de meios de pagamentos eletrônicos se dá graças a diversos fatores, entre eles o crescimento da bancarização e do poder de compra desse segmento, a chegada de novos entrantes com foco no mercado de baixa renda, as parcerias ente varejistas e instituições financeiras, além da amplitude da rede de estabelecimentos credenciados”, explica José Tosi, gerente-geral da MasterCard Brasil.
Apesar desse crescimento expressivo, ainda existe muito espaço para a utilização do plástico – cartões de crédito e de débito - por parte desse segmento da sociedade. “35 milhões de pessoas que constituem essa camada da população brasileira ganham entre 1 e 3 salários mínimos por mês e respondem por cerca 50% do consumo privado. Dois terços desses gastos ainda são pagos com dinheiro ou através do crédito informal”, afirma Tosi.
Segundo o executivo, além de pouco familiarizado com os meios de pagamentos eletrônicos, esse segmento não se identifica com as proposições de valor que lhe estão sendo ofertadas, como por exemplo, a complexidade de tarifas e taxas, data única de vencimento da fatura.
A falta de entendimento sobre esse segmento é o principal limitador para a expansão dos cartões de crédito e débito no país. Para conhecer melhor esse público, aproveitar seu potencial de crescimento e ajudar os bancos a desenvolver produtos e promoções que melhor atendam às suas necessidades, a MasterCard, em conjunto com o instituto Data Popular, foi a campo a fim de traçar um perfil etnográfico da classe C, para entender seus hábitos de compra, comportamento e demandas desse público no seu dia-a-dia.
A pesquisa, que não teve caráter estatístico, foi realizada no final do ano passado com famílias com renda familiar entre R$ 1.600 e R$ 2.800, que têm acesso a todos os meios de pagamento e ao mundo do consumo (eletroeletrônicos, aparelhos celulares, escola particular, carro, entre outros) e, apesar de a maioria da população desse segmento ter carteira assinada, muitos complementam sua renda com trabalhos informais, os chamados “bicos”. Essa variação na entrada de receitas acaba prejudicando sua relação com o crédito formal. “Apesar de ser considerado um ícone da inclusão social no Brasil, o cartão de crédito, no formato oferecido atualmente, não atende integralmente às necessidades desse público e por isso sua utilização ainda é baixa”, explica Tosi.
A pesquisa também revela como as famílias de baixa renda se organizam para pagar as contas: normalmente a renda fixa é usada pelos homens para pagar as necessidades básicas, como alimentação, moradia, educação e transporte. Já os gastos extras, como roupas, lazer e bens duráveis, são pagos pelas mulheres e com o orçamento que vem da atividade informal.
Meios de pagamento - Quanto aos meios de pagamento utilizados por esta classe, o estudo da MasterCard com a Data Popular também identificou que o carnê e cartão de loja (ou Private Label) são as formas preferidas do público de baixa renda e é utilizado principalmente para comprar eletrodomésticos, eletroeletrônicos e roupas. Já os cheques são muito utilizados na compra parcelada de produtos na porta-a-porta e o dinheiro vivo é o meio de pagamento mais usado e valorizado. Já o cartão de crédito é visto como uma forma de pagamento que possibilita a compra emergencial, no momento em que o usuário não tem dinheiro, além de permitir acesso a produtos que só poderiam ser adquiridos por meio de poupança, empréstimos e aumento da renda familiar.
* estudo do Iets (Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade), com base em informações da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE
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